The faces of the past keep calling me to come back home, to caress the river with awe.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Céus Cinzentos, Esperanças Meio Azuis
Azul, azul, azul
Como era o do céu
Que o nevoeiro roubou
Que cinza aquela tarde!
Ouço num canto qualquer que é um milagre,
A própria existência
E que admirável é que não nos dissolvamos
Durante o banho
Tu estás acordado?
Teus olhos vagueiam como num sonho
Em que és errante, perdido dos teus pais
Numa vasta praça de mercado
O toque divino num mundo ateu
[Um ateu nas terras de Judá]
Um sonho esquecido e cambiado
Por uma fácil e palpável ilusão
Nem correr podes,
Que a chuva não deixa
Há barragem entre a alma e os olhos
Que a visão de ti quase rompeu
As águas doces da chuva
Misturando-se ao sal da lágrimas
[E o sal das lágrimas já nada há de fazer]
Sol, retornas, sol
E faz brilhar de novo esse azul
Que sem tua luz-guia
Nós nos perdemos mais do que nos é comum.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Matiz Sussurrado
Falávamos sobre a vidaE sobre as coisas que nos mantinham
Sobre os espaços vazios
Entre tantos uns e outros
Falávamos sobre continuar
Sobre deixas e possibilidades
Sobre saldos antigos e motivos
Nem mesmo da tarde de sexta-feira
Ou das magistrais progressões musicais
Que a atmosfera estremecem e apavoram
No meio de tanta coisa
Há ainda tanta coisa
Deliciosa e ocultada
Almejam-se só os olhos de ver...
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Pelas Ruas
Lua, convidativa lua
Que muda a todo instante
Diante de nossos olhos
Mas que é e sempre será
Unicamente a que sempre foi
Eu passava através das ruas
Como quem nelas buscasse abrigo
Como dono dum peito em que o calor chamusca
Os ouvidos facilmente são atraídos
Pelos barulhos infernais dos motores
Pelos incessantes passos de borracha friccionada
Contra o chão bruto de pedra
De volta à concha,
De volta ao ovo
Sob o sol escaldante, ouvi os dizeres
E compreendi a todos, mesmo sem entendê-los
Da mesma forma que se compreende a música
Quando não se nos tem nenhuma explicação lógica
[Como uma criança faminta
Nos braços da Mãe das Coisas]
Deixe-me viver!
Deixe-me ouvir e fundir-me aos encantos
Encantados sorrisos
E entalados choros das gentes
Fundir-me aos cantos
E melodias que pincelam a vida
Eu vi o sol deixar-nos, no horizonte
E o céu era púrpura e dourado
Como uma festa infinita de cores
Que houvesse encontrado caminho
Em meio ao labirinto que é o peito
Fazendo bater mais forte, a vida
E eu jamais hei de compreender
Os olhares vazios e dedos incansáveis
Que tamborilam por sobre superfícies mortas
Os silêncios constrangedores do banco da frente
Os mesmos silêncios constrangedores
Das praças de alimentação
[E as vozes enlouquecidas que vêm de lugar nenhum
E que vêm de todos os lugares]
E eu morrerei sem compreender
As palavras brutas, sem lapidação
Que jogam às crianças
Como se fossem irreais
[Como se não fossem elas
As verdadeiras donas da verdade]
E morrerei também
Sem que compreenda a inconsciência
A ausência de presença
Os olhares confusos, vagueando nos tetos
Os olhares mortos virados para a TV
A quantidade de segredos obtusos
Que morrem com a gente...
Continuo através das ruas
E quase nada mais da morte me assusta
E quase tudo da vida me convida
[Zum de besouro – um imã]
E a guerra já não me repulsa
Tudo são toques – tudo são visões
Tudo são gritos de saudade
Tudo são apelos por amor
Quase nada é por acaso
E me espanta o fato
De que, mesmo sendo sozinho,
Sou sozinho junto a todas estas coisas
As ruas, o sol, a lua, as pessoas
E minha essência é como que a terra
Sobre a qual pisam meus pés incansáveis
E me assusta o fato da eternidade da vida
Que são nada mais que centésimos de segundo
Diante da idade do Universo
[Poeira ao vento,
Tudo o que somos é poeira ao vento]
Um salve à expressão -
Um dar de ombros à métrica
É assim que escrevo versos;
E assim que vivo a vida.
Assinar:
Postagens (Atom)

