The faces of the past keep calling me to come back home, to caress the river with awe.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Urgentes na Noite
Insólito jogo de meandrosas palavras
Quando já não caibo mais em mim
Afortunado é o fruto que logo se desprende
Mas tanto sofre o que se deixou ficar
Preso à rama – até que venha o verão
Despretensiosamente, eu desfraldo e iço a vela
Como um marinheiro perdido num conto empoeirado
Não sei se de fato ouço, ou se apenas imaginam os poetas
Cantos de povos entoados e trombones
Sereias, tambores e búzios celestiais
E eu pinto com olhos curiosos a imagem...
Eu vi e quis viver, até em pouco me perdi
E meu lar não está nunca à vista,
Para qualquer lado que se olhe
Mas me enganaram sempre, estes dois olhos meio-cegos
Talvez eu nunca tenha estado aqui
Talvez seja tudo nada mais que sonhos
Dum napeiro homem triste
Não sei se penso; nem se existo
Os trocadilhos já me cansam
Como quando criança me cansava a noite
E, nos braços da minha mãe, cruzava a cidade
Desemborcávamos, urgentes, no lugar branco
E o cheiro era de éter.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Céus Cinzentos, Esperanças Meio Azuis
Azul, azul, azul
Como era o do céu
Que o nevoeiro roubou
Que cinza aquela tarde!
Ouço num canto qualquer que é um milagre,
A própria existência
E que admirável é que não nos dissolvamos
Durante o banho
Tu estás acordado?
Teus olhos vagueiam como num sonho
Em que és errante, perdido dos teus pais
Numa vasta praça de mercado
O toque divino num mundo ateu
[Um ateu nas terras de Judá]
Um sonho esquecido e cambiado
Por uma fácil e palpável ilusão
Nem correr podes,
Que a chuva não deixa
Há barragem entre a alma e os olhos
Que a visão de ti quase rompeu
As águas doces da chuva
Misturando-se ao sal da lágrimas
[E o sal das lágrimas já nada há de fazer]
Sol, retornas, sol
E faz brilhar de novo esse azul
Que sem tua luz-guia
Nós nos perdemos mais do que nos é comum.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Matiz Sussurrado
Falávamos sobre a vidaE sobre as coisas que nos mantinham
Sobre os espaços vazios
Entre tantos uns e outros
Falávamos sobre continuar
Sobre deixas e possibilidades
Sobre saldos antigos e motivos
Nem mesmo da tarde de sexta-feira
Ou das magistrais progressões musicais
Que a atmosfera estremecem e apavoram
No meio de tanta coisa
Há ainda tanta coisa
Deliciosa e ocultada
Almejam-se só os olhos de ver...
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